terça-feira, 28 de abril de 2015

Resenhando "O Primo Basílio"

QUEIRÓS, Eça. O Primo Basílio. São Paulo, SP: Ciranda Cultural, 2008, - (Coleção clássicos da literatura). 383 p. ISBN 978-85-380-0347-2

Escrito em 1878, "O Primo Basílio" é, além de um clássico, uma crítica à sociedade burguesa de Lisboa do século XIX. Eça de Queirós apresenta diversos personagens peculiares durante a narrativa, cada qual com suas preocupações e trejeitos que os fazem únicos.
A história se concentra com torno de Luísa, uma jovem casada com o engenheiro Jorge que vive em sua confortável casa com duas criadas a lhe fazerem praticamente tudo e recebendo visitas de seu núcleo social. Suas vidas seguiam muito tranquilamente até Jorge se ausentar à trabalho durante um longo período de tempo, e neste ínterim, volta a Lisboa um antigo amor de Luísa, seu primo Basílio, com quem esteve prestes a casar antes de o mesmo ir embora para o Brasil. Com a chegada de Basílio, Luísa sente aquela paixão reacender e cede aos encantos do sedutor primo. O que Luísa inocentemente não sabia, era da raiva e da ambição que cultivava Juliana, uma das criadas, que ao conseguir provas da traição de sua senhora, passa a chantageá-la.
No desenrolar da narrativa, o leitor passa a conhecer melhor e entender cada personagem secundário do núcleo social  que cerca Luísa. Sebastião, amigo mais estimado de Jorge quer apenas manter a boa imagem de seus amigos perante à vizinhança, Dona Felicidade sonha em conquistar o Conselheiro Acácio, este sempre muito formal com todos amigos (uma formalidade que beira ao ridículo), enquanto Julião Zuzarte, o médico, representa o herege, com passagens muitas vezes cômicas. Desvenda-se até mesmo as verdadeiras intenções de Basílio logo que o mesmo é apresentado, e chega-se a sofrer as angústias de Luísa, pois bem vê-se que sua vida está caminhando para uma tragédia anunciada.
Com uma linguagem própria da época, "O Primo Basílio" no começo há de ser lido com calma, a fim de acostumar-se com a narrativa de Eça de Queirós, o que é muito fácil após algumas páginas, quando o leitor começa a prender-se à história e nem mais fazer distinção de certas palavras anteriormente desconhecidas. Ressalta-se a pitada de humor negro presente em algumas passagens, que tornam a leitura mais agradável a quem sabe apreciar. Sim, é possível rir lendo um clássico desse porte. E é claro, aos mais sensíveis, as lágrimas vêm aos olhos.

[Resenha participando do "Desafio Literário Skoob 2015". Abril: Mentira, enganação]

sexta-feira, 27 de março de 2015

Resenhando "A Rainha dos Condenados"

RICE, Anne. A Rainha dos Condenados. Rio de Janeiro, RJ: Rocco, 1990. 591 p. ISBN 8532500315


Não há como resenhar qualquer livro de Anne Rice sem exaltar a genialidade da melhor escritora do gênero "gótico" das últimas décadas. Seus personagens vampíricos são os melhores descritos e mais envolventes desde "O Drácula" de Bram Stoker, fazendo o leitor crer que se vampiros existissem, eles seriam exatamente como Lestat de Lioncourt ou Marius de Romanus.
"A Rainha dos Condenados" é o terceiro livro d'As Crônicas Vampirescas, iniciando seus acontecimentos principais logo após o final do segundo livro da saga, "O Vampiro Lestat", quando Lestat, desperta a "Mãe de todos os vampiros" Akasha com sua música.
O livro é inicialmente narrado sob a perspectiva de vários personagens, preparando para um grande encontro ao final, quando as muitas pontas soltas deixadas por diversos capítulos são amarradas e muitos mistérios são revelados, como a Lenda das Gêmeas que destaca-se e rouba a cena ao longo das 591 páginas. Não há como não envolver-se com a Lenda das Gêmeas, quando todos os vampiros ao redor do mundo começam a ter sonhos com elas sem entender o motivo, mas sentindo que aquilo tudo é de suma importância e intimamente ligado à história de Akasha, que por sua vez causa temor em seus "filhos" com seus planos (perfeitos aos olhos dela) para a humanidade.
De narrativa impecável, é um livro escrito para os já leitores dos livros de Anne Rice, por dar continuidade às Crônicas e por possuir alguns capítulos narrados por Lestat mais "arrastados", com grande apelo filosófico, facilmente apreciado por fãs, mas considerados maçantes para os ainda não apreciadores da série. É comum abrir qualquer livro da autora aleatoriamente e se deparar com frases que parecem jogadas ao acaso, como poemas, onde pode-se tirar lições e que instigam ao pensamento.
Um fato interessante, é que através de Jesse, uma das personagens principais, é introduzida a história da Talamasca, uma organização secular que estuda fenômenos paranormais, onde estão as prováveis únicas pessoas que detém provas da existências dos vampiros. Na série "As Bruxas Mayfair", também de Anne Rice, que sugere-se ser lida concomitantemente às "Crônicas Vampirescas", A Talamasca é melhor explorada.
Ao final, o livro deixa vontade de continuar a leitura da série para maior conhecimento sobre Armand, Pandora, Santino, Marius e os outros vampiros fascinantes criados pela genial Anne Rice, além é claro, dos já amados, Lestat e Louis!

[Resenha participando do "Desafio Literário Skoob 2015". Março: Escritoras com 'A' maiúsculo]

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Meus pensamentos, Minhas Regras

Pensamentos: fortaleza intransponível particular
Ninguém pode entrar no pensamento alheio e interromper abruptamente
Ninguém precisa envergonhar-se de seus pensamentos
Nem explicá-los para outrem

O imaginário de cada um é o melhor lugar do mundo
Lá pode-se ter um paraíso cor de rosa
Pode-se ser quem quiser
Ter o que e quem quiser e estar aonde quiser

Pode-se criar filmes
Reviver a mesma cena dezenas de vezes
Pode-se mudar o final de algumas histórias
E inserir-se em outras

Pode-se viver coisas diferentes
Imaginar o futuro
Cenas boas e cenas ruins, porquê não?
E coisas que não se escreveria sobre.

Pode-se fazer um mundo melhor
Ter ideias e sonhar em aplicá-las e nas mudanças que causariam
E também pensar na destruição completa da humanidade
Ou em simples assassinatos

Existe a paranoia constante quando pensa-se perto de outros seres
"E se alguém puder escutar?"
Mesmo os outros sendo surdos para os pensamentos,
é mais seguro pensar em um lugar privado

Até a própria morte vem sem ser convidada (ou sim)
E as vidas que ainda não foram geradas
E os bem-vindos gatos imaginários
Juntos naquela vida mais ou menos planejada

O desconforto torna-se confortável
Os medos tornam-se irrisórios
O silêncio torna-se música
Os sonhos tornam-se reais. 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Meros Marcadores

Meros coadjuvantes em meio ao artista principal

Percorrendo suas páginas do início ao fim

Às vezes esquecidos por muito tempo em um mesmo lugar

Às vezes não permanecendo quase nada

Servindo como apoio para outro mostrar sua arte

Querendo serem lidos também

Quantas vezes lê-se seus conteúdos?

Vida ingrata, a dos marcadores

Peças sem valor com valor inestimável

Sem eles nos perdemos terrivelmente.

Pessoas podem achar que eles são substituíveis

Por pedaços de papel

Afinal, marcadores não são meros pedaços de papel?

O que foram os livros um dia, senão uma mera ideia em um pedaço de papel?


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Resenhando "O Mágico de Oz"

BAUM, L. Frank. O Mágico de Oz. São Paulo, SP: Universo dos Livros, 2013. 160 p. ISBN 9788579303753


Publicado originalmente em 1900, O Mágico de Oz foi escrito com o objetivo de ser um conto de fadas moderno, diferenciado dos contos clássicos com fadas e gnomos.
A história começa quando Dorothy, uma pequena menina, é transportada junto com seu cachorro Totó em meio a um tornado à Terra de Oz, um mundo mágico onde nenhum habitante jamais ouviu falar do Kansas, estado de origem da garotinha. Para retornar ao mundo a que pertence, Dorothy precisa ir até a Cidade das Esmeraldas encontrar o poderoso mágico de Oz, sua unica esperança de voltar para casa. Durante a jornada pela estrada de tijolos amarelos, ela faz amigos extremamente importantes para o desenvolvimento do livro. São eles: O Espantalho, o Homem de Lata e o Leão Covarde, que se tornam seus fiéis companheiros.

Além de ser um clássico da literatura (e do cinema) voltado ao público infantil, o livro traz importantes lições de vida. Alguns personagens buscam desesperadamente por coisas que eles já possuem dentro deles, mas só sentem que as têm quando acreditam que alguém as concede. O Espantalho, que quer um cérebro, já é muito inteligente e sempre tem as melhores ideias quando o grupo encontra-se em apuros, embora pense ser inferior aos outros homens. O Homem de Lata (personagem detentor da melhor história de vida anterior aos fatos ocorridos no livro) deseja ter um coração, pois pensa ser insensível, ele que é tão cheio de sentimentos e discernimento do que é certo e do que é errado. Já o Leão pensa ser covarde e sonha em ganhar coragem e assim se tornar o rei dos animais, mas salva seus amigos em muitos momentos da jornada com sua coragem já existente. Estes três personagens projetados para serem o apoio de Dorothy roubam a cena com seu carisma e inocência, se tornando mais queridos por muitos do que a própria protagonista, que apesar disso permanece forte, mostrando-se muito determinada ao longo da jornada. Sem Dorothy, seus amigos não teriam iniciado a maravilhosa (e por vezes temerosa) aventura que os tornou tão próximos.

L. Frank Baum demonstrou muita criatividade ao escrever "O Mágico de Oz" em sua época, que apesar de ser um livro pequeno com a escrita voltada às crianças, cativa leitores de todas as idades e de todas as épocas.


[Resenha participando do "Desafio Literário Skoob 2015". Fevereiro: Fantasia]

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Resenhando "Bonnie e Clyde: A vida por trás da lenda"

SCHNEIDER, Paul. Bonnie e Clyde: a vida por trás da lenda. 1 ed. São Paulo, SP: Larousse do Brasil, 2009. 432 p. ISBN 9788576356530

Livro de não ficção, Bonnie e Clyde: a vida por trás da lenda, foi escrito com base em pesquisas realizadas a fundo por Paul Schneider em arquivos da época em que o famoso casal viveu (início do século XX) e entrevistas com familiares, amigos e pessoas que os conheceram. Segundo o autor, todos os fatos retratados realmente aconteceram, ao contrário do que apresentam as adaptações cinematográficas e televisivas realizadas até então sobre a vida de Bonnie Parker e Clyde Barrow.

Clyde e Bonnie se conheceram durante a época da depressão nos Estados Unidos, período de extrema pobreza e escassez de empregos, o que levava muitos jovens a cometerem roubos, assaltos, e consequentemente, assassinatos. Muito cedo, Clyde e seu irmão iniciaram a vida de crimes, chegando a serem presos, assim como muitos de seus amigos, mas fugir das prisões não era difícil e se a causa da detenção fosse alguns roubos, conseguia-se a liberdade após pouco tempo. Após sair da prisão, Clyde tenta viver honestamente por um curto período, mas acaba sucumbindo à vida fora da lei, levando Bonnie consigo, que por sua vez, o segue inicialmente por amor e diversão. Os dois passam a maior parte de suas vidas a partir de então fugindo e se escondendo, sempre na estrada, dormindo dentro do carro, e tendo encontros furtivos com suas famílias, até serem pegos depois de muitas tentativas frustradas da parte dos policiais.

Muitos boatos sobre o casal iniciaram-se ainda quando eles eram fugitivos, tanto por jornalistas quanto por policiais. Várias coisas ditas sobre eles passadas adiante até os dias de hoje permanecem como incógnitas, mas muitas outras foram desvendadas pelo autor e retratadas no livro, trazendo uma percepção ligeiramente diferente do que é contado sobre a vida de Bonnie e Clyde na ficção. O autor somente afirma fatos dos quais as fontes são confiáveis, ou quando mais de uma fonte confirma tal fato. Mesmo falas das pessoas entrevistadas são reproduzidas fielmente na escrita.

A maior parte do livro é narrada pelos personagens, o que torna os capítulos que apresentam tiroteios e fugas no Ford V8 impossíveis de leitura lenta ou eventuais pausas, fazendo com que o leitor prenda a respiração em muitos trechos. A desmistificação da lenda do casal fora da lei faz entender que sua vida não foi uma divertida aventura, e sim uma sucessão de erros que os levaram a um ponto no qual retroceder já não era possível, e que o único caminho para eles era a morte.


[Resenha participando do "Desafio Literário Skoob 2015". Janeiro: Novinho em folha (o último livro que você comprou/ganhou/baixou/pegou emprestado)]

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Aos Mestres

 Muito compara-se novos gênios a gênios mortos. A imbecilidade do ser humano o torna incapaz de admirar e respeitar cada qual com suas diferenças e promove discussões desnecessárias sobre quem é o melhor, qual obra é mais completa, qual personagem é mais forte e corajoso.
O gênero comumente chamado "Fantasia" ganhou nos últimos anos uma de suas obras primas (ainda incompleta), "As Crônicas de Gelo e Fogo", escrita por George R. R. Martin. Há quem não ache os livros da saga uma obra prima, o que é normal, pois o que seria do cinema se todos só apreciassem literatura? Metáforas a parte, não gostar dos livros de George Martin é compreensível. O que é inadmissível é sua constante comparação ao mestre supremo J. R. R. Tolkien. Os dois viveram de maneira absurdamente diferente, cada qual com suas ideias, e o próprio Martin já declarou que se sente lisonjeado ao ser comparado a Tolkien, mas reconhece a superioridade do lendário escritor britânico, humildemente, o que seria o suficiente para cessar as discussões. Mas não, cada vez mais aparecem pseudo fãs de Tolkien expelindo suas palavras pessimistas de que só a obra do Tolkien é boa e nada mais. Isso me faz pensar que essas pessoas não leem realmente, não abrem a mente para novos livros, passam a vida lendo só um autor e os mesmos livros repetidas vezes. Pessoas assim não são dignas de nenhum tipo de literatura. Quem realmente lê percebe as diferenças entre as obras desses dois grandes autores, por exemplo.
Os livros foram concebidos para serem apreciados, e é claro que é saudável conversar sobre seus conteúdos, autores e percepções pessoais. Gostar mais de determinado livro ou autor não é problema nenhum, o problema começa quando palavras são jogadas ao vento com o intuito de ferir a dignidade de certo autor, ao dizer que ele "nunca será como o outro porque o outro é o melhor porque sim". Crianças mimadas, é o que essas pessoas são.
É senso comum que Tolkien é o pai da fantasia moderna e que pode-se encontrar referências e inspirações da obra dele em praticamente todo livro do gênero que tenha vindo depois. Mas esquece-se  de que o grande mestre se inspirou na mitologia nórdica para escrever seus livros. Qualquer um dos autores atuais acusados de plagiar Tolkien pode muito bem se interessar por mitologia nórdica e com ela ter ideias para seus livros, assim como podem se inspirar realmente no Silmarillion. Isso não o faz um autor medíocre, apenas alguém com ideias próximas às de Tolkien.
Tolkien é a maior referência na literatura fantástica sim, ele é um gênio sim, ele criou mundos, linguagens, culturas e tantas coisas que a maioria das pessoas não seria capaz. Mas Martin também criou um mundo com tantas subdivisões e tribos, culturas, e palavras de linguagens inexistentes até então. Ele merece e deve ser chamado de Mestre também. Ele merece ser reconhecido sem nenhum tipo de comparação com nenhum escritor, porque assim como Tolkien, ele é único!
É possível amar "O Senhor dos Anéis" e amar igualmente "As Crônicas de Gelo e Fogo". É possível reconhecer genialidade em cada uma das sagas. É possível somente apreciar as obras, sem comparações, sem dramas. Somente com o prazer de ser transportado para outros mundos, onde pode-se ser Daenerys Targaryen e voar em um dragão ou ser Galadriel e caminhar por Lothlórien. Sim, é possível apenas encher os olhos e mergulhar na genialidade!

sábado, 13 de dezembro de 2014

Sobre Maldade (e bondade)

Ninguém é mau sempre
As vezes, uma determinada pessoa pode estar má.
O ser humano nasce 50% mau e 50% bom.
Dependendo do dia, o lado mau pode apoderar-se, deixando a pessoa 85% má, por exemplo
Neste dia, a pessoa está má.
O contrário também pode ocorrer, embora seja mais fácil pender para o lado mau.
É como se dentro de cada um existissem duas feras brigando.
Todos os dias, ao acordar, a briga começa, e em poucos minutos se decide.
Por algum tempo, a fera perdedora permanece acuada, deixando a outra comandar
Até que algo desencadeie uma mudança dentro do ser
E vendo assim uma chance de reversão, a fera que inicialmente havia sido abatida se levanta
E a luta recomeça.
Todos sabem que o certo é alimentar a fera boa, deixar que ela sempre vença.
Mas por mais que exista esforço, a fera má nunca morre.
Ela sempre está à espreita.
Ao menor deslize ela ergue-se com todo seu poder e arranca a fera boa do seu lugar de honra.
E ao tomar conta de algum ser por muitas vezes consecutivas, as batalhas tornam-se cada vez piores para a fera boa.
É muito mais fácil a fera boa morrer dentro de alguém do que a má.
É mais fácil alimentar a fera má
Porque basta omitir-se.
A fera boa precisa de mais alimento do que a fera má
Quando um ser omite-se, a fera má prevalece e fica cada vez mais forte.
Deixando a pessoa má.
E quando a fera má prevalece recorrentemente, a pessoa não mais estará má
Ela será má.
Provavelmente cada vez mais, até que chegue a 95% de maldade em todos os dias de sua vida.
E os outros 5%?
A fera boa está adormecida, esperando que algo a acorde
Para tentar fazer o que é certo, mais uma vez.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A Vida é Essa...

Alguns são felizes por naturezas, com a felicidade que vem de dentro.
Outros, como ela, nunca estarão completamente felizes
Não é sua culpa, ela não consegue manter a felicidade por muito tempo
Como se houvesse um buraco negro dentro da alma sugando as alegrias
Como uma nuvem de chuva sobre a sua cabeça.
Ela tem consciência de que deveria ser grata pela vida e por tudo o que tem
Mas é mais forte do que ela
A tristeza vence os momentos de alegria
Os momentos de felicidade existem sim
Mas são apenas momentos, logo eles passam
e dão lugar à rotineira tristeza e insatisfação
É claro que a vida tem seu lado bom
e é claro que ela tem consciência disso
mas aquele início de depressão a consome
Será que seria bipolaridade? Ou Distimia? Ou falta de vergonha na cara?
Ela tenta se convencer de que depressão é doença de quem não tem o que fazer
Mas a sobrecarga a deixa deprimida
Ela se sente fraca por não aguentar
"A vida é essa, minha filha", já dizia a sua vó
Uma pessoa conformada.
Não feliz, mas conformada
Como sua mãe, uma assumidamente "não-feliz"
Será mal que atinge as mulheres da família?
Ela não sabe identificar a raiz do problema
Ela só sabe criar mais problemas
e temer o futuro incerto
O peso de ser filha unica e ser bem sucedida, de se formar, ter casa, família, felicidade
A cobrança das pessoas pela sua felicidade
Ela externa felicidade
Mas é uma felicidade forjada
Ou extraída dos pequenos momentos de alegria que logo passam, aqueles que são impossíveis de se segurar.
Esses pequenos momentos a satisfazem na maior parte do tempo
Mas há aqueles momentos de crise
"Pra onde minha vida está indo?", ela se pergunta
Mas ela não tem as respostas
A falta de controle a deixa mais incomodada
Talvez por isso ela seja tão triste
Porque não se pode controlar tudo.
A vida é incerta.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Alma

Alma inquieta
Que procura por algo que desconhece
Alma que quer aventuras por vezes
E calmaria por um tempo 
Alma que não sabe bem o que quer
Mas que sabe o que não quer
Alma que não quer apenas ser alma
Alma que almeja a elevação por meio de atitudes grandiosas
Alma naturalmente pura
Com pequenas manchas escuras na aura
Alma imperfeita
Como a maioria das outras almas
Alma antiga
Conhecedora de muitos mundos
Alma amante
De muitas outras almas
Alma que por vezes procura a calma
E encontra um oceano
que acalma a alma.